
Crueza bruta
29.5.26
Os gatos amam o pensamento

24.5.26
As parecenças do ovo com o espeto
O prazer do texto
20.5.26
Excelentíssimo Manta
No Reino do Mexilhão:
18.5.26
La mato y aparece una mayor
The drone song
12.5.26
Ser de esquerda, segundo Gilles Deleuze
11.5.26
«A gente cresce sempre, sem saber para onde»

10.5.26
Infernos coloridos, infernos cinzentos
26.4.26
Requintados constrangimentos, sapatos apertados, etc.

25.4.26
Compensação pelos anos mal iluminados
21.4.26
A destruição da infância, da beleza e da graça
20.4.26
Massacre em baixo-contínuo
19.4.26
Sucessão de contritas
Contínua luta por relevância
A universidade
18.4.26
A confiança absurda, a vida social

17.4.26
Poema apolítico
16.4.26
A merda é a única coisa
Desertos e câmaras de gás
1.4.26
Pasolini

Sobre o fechamento do Estreito de Ormuz como violação do direito internacional
22.3.26
Poesia ao fim do seu dia mundial
Poesia. Isto, ou então muito pouco. Crianças com mais ternura, mais confiança, menos encerradas no ofício de sobreviver, de fugir, de comer, de chorar.
E o filme de Lee Chang-Dong, Poesia, mostra-o também, de outro modo, com eloquência. Uma senhora com Alzheimer, a atriz Yun Jeong-hie, quer aprender a escrever poesia, inscreve-se num curso. Seguimos a sua vida: ela tem um neto, mas, segundo me lembro, a relação com os pais é tensa porque eles estão sempre muito ocupados. Nas aulas, ela vai lendo poesia, afinando a sensibilidade, criando amizades, momentos que constituem verdadeiros poemas visuais. O seu trabalho final consiste em escrever um poema. Que ela faz com orgulho. Mas o real poema é a coragem e a empatia com que protege uma menina que foi violada por um grupo de rapazes. A protagonista acaba por rejeitar uma soma avultada de dinheiro em troca do seu silêncio e denuncia os rapazes à polícia, entre os quais o seu próprio neto. Notem que o filme não desvaloriza a virulência nem a subtileza poéticas, pois sem a poesia propriamente dita ela não teria feito o seu gesto radical, contra a família, contra a sociedade, contra os seus interesses.
19.3.26
Poesia de Kiarostami




