Adicionemos a isto a linguagem usada pelos media para apresentarem e classificar o mundo. É muito parecida com o jargão e a lógica dos peritos em gestão. Quantifica tudo e raramente se refere à substância ou à qualidade. Lida com percentagens, mudanças nas sondagens de opinião, números do desemprego, taxas de crescimento, estimativas de dióxido de carbono, etc., etc. É uma voz que se dá bem com números mas não com corpos vivos ou em sofrimento. Não fala de arrependimentos ou de esperanças.
John Berger, Confabulações, trad. Maria Eduarda Cardoso