20.4.26

Massacre em baixo-contínuo: a Europa

Trânsito

Os brancos transportes pesados a caminho do sul
E outros na direcção oposta: uma torrente sem fim
De bens e lixo, máquinas e frutas
Derrama-se atravessando os vales Alpinos,
Atravessando os desfiladeiros, através de ravinas de betão.

Grandes nuvens destroçadas acompanham o movimento
Nos pára-brisas, e as borboletas nocturnas
Farfalham nas vinhas ao longo das rotas,
Onde um sinal negro de travagem anuncia uma desgraça.
Também nas células das macieiras
Espreita uma catástrofe secreta.

Como tudo decorre sem atrito.
Como tudo parece pacífico, civilizado.
Há a abundância e a burocracia.
Há o betão e as bananas,
O pânico mudo dos animais transportados
E as pontadas no estômago.

Será este o aspecto da morte que não vemos?

No supermercado uma promoção surpreendente:
Carne de Minotauro, hoje a metade do preço!

Durs Grünbein, Velas de ignição, trad. Maria Teresa Dias Furtado

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