4.7.26

Blooming o caralho

Quase todo o mundo é uma colónia americana. Os métodos de colonização variam, porém. Por cá, engenharia moral, financeira e jurídica, e basta. Os imigrantes do Bangladesh e do Brasil, além de explorados sem mais direitos, fiquem com as culpas da insustentabilidade da vida para o indígena, eis a política para o justificar. Ou isso ou a culpa morre solteira, o que demonstra como a social-democracia ficou entalada. Alguns mais livres limitam-se a fazer cócegas ao status quo e contentam-se com um sim ambíguo, nunca com o não que os comprometeria inteiramente. São reformistas e acham que o poder dialoga, eis o seu efeito de propaganda: eles sentam-se e negoceiam com a sua cabeça. O problema continua, só o dinheiro vive e se multiplica. Os baby boomers estabelecidos, também os que pela Europa mandam, leem palavras do mesmo teor, o módico bom senso, como um radicalismo inusitado, e não se fartam de o repetir no palco mediático que controlam. Sejam eles ou os mais jovens que falam por eles. Aqueles sem herança fizeram a videirunha graças à 'liberdade americana', nazismo muito mais eficaz que o vetusto porque mais ardiloso, tão refinado a matar como a retorcer, de implementação ora lenta ora rápida, mascarado pelo espetáculo, pela publicidade, pela informação e até pela diplomacia. Que concede liberdades formais no seio dos white power e, quanto mais rico se for, mais livre se será, arguem os nossos liberais com que a social-democracia, inane no essencial, concorda. E com a rules based international order a legitimar os seus crimes, seja ignorando-os, seja perseguindo inimigos que urja abater. Que o pequeno-burguês da mesma geração, que por cá fez vida e carreira, tendo recebido um voucher, entretanto esgotado, de adesão ao império (que reabsorveu o possível do nosso de miséria e fancaria), glose o guião dos oligarcas e do capital (investidores, expats, o jubilado com papel, em jargão 'informativo'), é dececionante, ao limitar um plano de intervenção, embora totalmente expectável. O hábito do conforto tem esse efeito: letargia; orgânica, primeiro, intelectual depois. Junta-se uma certa vaidade ainda, a de quem reclama os méritos às circunstâncias. E também a idade, posto que, como explicou Agustina Bessa-Luís, a maturidade é um estacionamento mental, enquanto a inteligência volúvel é de um infantilismo alvar.



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