26.1.13

O lugar da esquerda


Por paradoxal que possa parecer, a esquerda é socialmente conservadora, como diz Tony Judt (esqueçam-se, para esta argumentação, os direitos civis: casamento entre pessoas do mesmo sexo, testamento vital, eutanásia, etc.). É a esquerda e parte da direita (aquela que não nos governa) que quer conservar direitos laborais. É a direita (como a que nos governa) que está a defender a revolução, nomeadamente de mentalidade, para que as ideias possam - ou pudessem - funcionar. É a direita que quer controlar o fluxo da história. Tudo idílios em que a esquerda já embarcou. Porém, certa esquerda, hoje residual, deseja algo (ainda) sem nome, que se conseguiria revolucionariamente. A maior parte da esquerda não questiona o capitalismo em si, antes a forma desregulada como este tem funcionado. É ainda cedo para se saber se a postura desta esquerda serve os propósitos da direita ou se a configura como anjo da história. Para já, parece ir travando alguns radicalismos.