11.11.12

É daquelas coisas


«As unhas iguais. Os nós dos dedos. Os mesmos olhos. O mesmo pensamento, quando olhamos, com os mesmos olhos, as mesmas mãos.
Reacções iguais perante os acontecimentos, a expressão dos sentimentos, como a alegria, mas sobretudo o medo, não mudam relevantemente ao longo do tempo. A partir de certa idade, muito cedo na infância, já somos nós, o que nos há-de perseguir para sempre.» (Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais, 31, p. 106).


De facto, essa espécie de ecrã opaco que se interpõe entre nós e as nossas unhas quando olhamos a pequenez delas é algo quase arcaico. Tanto no medo como na alegria nos confrontamos com o mesmo ecrã opaco, que somos nós, ou o estranho de nós que sempre nos acompanhou. Sem memória, o que somos, o que sejamos, perde-se.


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