25.9.12

O Gebo e a sombra de Manoel de Oliveira





O ato de Gebo é análogo ao do filho: ambos se sacrificam em favor de algo transcendente e ambos são ascéticos. O primeiro, em favor da mulher liberta-se de tudo, em nome da lei. O segundo, João, em favor de uma ideia de liberdade, da abertura ao outro que a noite cerrada tão bem encarna. Para João, o dinheiro é uma forma de conseguir mais ser, citando Maria Gabriela Llansol. São sempre as mulheres as mais terrenas, as que sabem que não há saída para além do pó. Ainda que por vezes sejam forçadas a sabê-lo, como Doroteia. Nem vale a pena mencionar Chamiço (Luís Miguel Cintra) e a consolação pela arte. E tudo isto é moderno, avesso ao cinismo e à ironia de que já não nos sabemos livrar. Esta austeridade, constituída por planos fixos e, aparentemente, iluminação natural, ou próximo disso, esta austeridade aprecio, e outra coisa não pedia a ascese de que falei.



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