28.6.12

Ainda com Palombella rossa: le paroli sono importanti



Michele perde a memória, vai recuperando-a durante um jogo de pólo aquático. 

Joga e lembra-se de muita coisa: de uma entrevista que concedera enquanto líder comunista, do trauma que fora começar em criança a praticar pólo aquático, do carinho da mãe... 

Joga e pensa em muita coisa. E só isto já me parece interessante. Quem pratica qualquer desporto não está sempre a pensar no jogo. Passam-lhe pela cabeça muitas coisas. Michele por vezes verbaliza-as, outras vezes apenas o ouvimos a pensar (a magia do cinema).

Outro ponto interessante. A dado momento, as pessoas mais marcantes para a vida de algumas personagens surpreendentemente aparecerão e passarão a acompanhá-las para todo o lado. Por exemplo, o árbitro será acompanhado por um psicanalista, um dos treinadores por um mestre de yoga, o outro por um sábio. Estas pessoas importantes são, sem dúvida, o Grande Outro, a entidade que garante um sentido para as coisas. A partir desse momento, as personagens em causa não decidem nada sem consultar essas pessoas marcantes. Isto é, abdicam de decisões éticas.

Saliento por fim que o filme ainda questiona o difícil lugar da esquerda. Moretti não chama atenção, apenas, para a importância das palavras. Note-se como a reacção de Michele é brutal. Mais importante do que as palavras, são os actos. E mais mais escandaloso do que o uso de certo vocabulário, é o modo como se censura, violentamente, esse uso. A actriz que levou aquelas chapadas - levou mesmo aquelas chapadas - chorava depois dos takes em a cena era filmada.


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