17.4.26

Poema apolítico

Cada pessoa é um brilhante
Em estado bruto, único
No seu modo oculto.
Quanta auto-disciplina
Exige um sorriso
Colocado no momento
Certo, uma atenção,
Que só depois a palavra redime.
Será para sempre um enigma,
A razão pela qual a rapariga no autocarro
Sem se irritar,
Nos informou amigavelmente.
Nessa altura passávamos por aldeias
Com alta taxa de desemprego,
Muitos emigrantes, no entanto
Foi um momento conseguido.
Nada de grave sucedeu.
Só mais tarde na estação
De novo se fez ver toda a dureza.
Recantos mal cheirosos, frios,
Lixo diante dos restaurantes de fast-food,
Uma cabine de fotografias tipo passe vazia.
A mulher no guichê dos bilhetes
Olhava fixamente para as suas unhas
Pintadas, antes de, sem palavras,
Empurrar para fora o troco.

Durs Grünbein, Velas de ignição, trad. Maria Teresa Dias Furtado

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