27.11.16

Técnicas para treinar a lucidez

Conheço pessoas que andam na rua como se fizessem um favor ao acto de andar. É perigoso julgarmo-nos maiores que a nossa tarefa - explicava o senhor Valéry.
- Se a nossa tarefa for fixar um prego na parede... 
(e ele desenhava)
- ...e se nos julgarmos mais inteligentes que essa tarefa, corremos o risco de falhar o prego, acertando em cheio no nosso próprio dedo.
- Mas também não nos podemos considerar menos inteligentes que a tarefa, pois por inibição corremos o risco de falhar outra vez o prego, e dessa forma acertarmos, de novo, em cheio, no nosso próprio dedo.
- Deste modo - concluía o senhor Valéry - eu considero-me, em qualquer situação, ao mesmo nível da tarefa. Nem sou seu chefe, nem seu empregado. Eu e a minha tarefa somos coisas com igual inteligência que num determinado momento partilham o Destino. E é só.


O senhor Valéry, Gonçalo M. Tavares



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