1.7.13

«Lines» de Julian Lynch

Tive a oportunidade de ver Julian Lynch ao vivo há dois anos no Centro Cultural Vila-Flor, em Guimarães. Por essa altura, explorava mais o surf-rock. Agora, apresenta-nos Lines, revisitando a herança folk
Neste vídeo, alguns cães observam o espetáculo do mundo. Fazem-no com a serenidade de quem não é maculado por palavras nem por lembranças. Nada se interpõe entre eles e o mundo. Ou então eles não passam de uma projeção das nossas angústias. Uma coisa é certa: eles obedecem a leis, não se expõem ao tremor de saltar no vazio, de agir eticamente. Mas muitos humanos também contornam este vazio para comodamente poderem dominar o mundo que recortaram. Desenhar linhas retas é possível porque carecemos do aturdimento que absorve o animal, abrindo-o ao ente a que ele não pode contudo aceder. No mesmo passo, é-nos opaco na sua incondicional abertura. Opaco sobretudo porque o desejo humano é acéfalo.


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