25.7.12

Subsídios para um tratado teológico-político


Um governante que acredita ser providencial a sua vida. Acredita que é o messias que vem libertar o seu povo da mentalidade atávica que o tolhe. Acredita que trará luz aos homens, presos às sombras das cavernas. Cria uma mitologia sobre si próprio, que se projeta para um futuro glorioso e redentor, ou, se o mal vencer, que se imagina como um mártir do lado perverso da democracia. O perigo é este: quando as fronteiras entre a política e a teologia já não existem. O que confirma a narrativa dos fortes e dos fracos exposta noutras intervenções, culminada pelo desejado triunfo final da nobre estirpe: a dos empreendedores de cartilha, a dos moralistas de esquina, aquela que paga bem as suas licenciaturas e os seus liceus, onde se aprende a ler, a escrever e a contar, e que paga bem a sua saúde, liderada por gestores com provas dadas em campanhas eleitorais entre a turba das juventudes partidárias, e que diz com precisão aos de outra raça o lugar que devem ocupar. Entre outras coisas.



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